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domingo, março 27, 2016

Cronograma.

Era um domingo, quando ela descobriu pela bilionésima vez que estava errado sobre perdão.
E foi em uma sexta feira em que recebeu uma ligação que estava esperando fazia uns meses. 
Aquele domingo foi a descoberta do próprio erro, de como não se deve doar o coração quando se conhece os caminhos, quando já se sabe que o amor não tem espaço e já não pode curar, onde companheirismo não tem vez, onde a verdade não existe. Já aquela sexta feira foi a oportunidade, que estava esperando para se sentir completa de fato, era o que faltava para relembrar os planos, reavivar os sonhos, reacender o que se tinha escrito para o futuro e estava se apagando na rotina...

Mais para frente, em um sábado qualquer foi galgar mais um lugar (é que o coração vazio abre espaço demais para outras coisas e a conquista tem um gosto ainda melhor nessa situação).

Toda segunda feira era uma tortura ou parecia ser até o começo daquela temporada. Ela tinha perdido o tempo, mas havia ganhado algo que sempre amou: o sentido. Tudo parecia real demais, sonhar nunca tinha sido tão prazeroso, acreditar na própria capacidade tinha ganhado uma força sem explicação...

Ela me disse sentada naquele bar em plena quinta-feira que estava transbordando e eu acreditei, não havia como duvidar. O olho brilhava demais, ela nem conseguia falar, e mesmo quando dizia que estava difícil era como se a dificuldade também fizesse parte das maravilhas daquele "novo mundo". Ela estava rindo mais, confiando mais, com umas olheiras e o cabelo vez por outra bagunçado, mas me parecia feliz demais para se importar.

Toda terça feira tinha um cronograma e ela amava cronogramas. Aquele jeito metódico assustava e atraia. Era como se ela soubesse de tudo o tempo inteiro (e ela de fato sabia). Começava nas terças para ter a certeza de não cair no engano que as segundas costumam apresentar...

A vida envolve todo mundo com essa coisa de começos e términos e tudo isso é doloroso, a  gente vive se arrastando até entender como funciona o tal do recomeço, é complicado ter que reorganizar, desacreditar em tudo que a gente achou que fazia sentido, que existia conserto, que seriamos capazes de corrigir e não são consertáveis muito menos corrigíveis. É estranho aceitar que as coisas passam ou que ela nunca estiveram. É difícil viver a agenda dos outros se elas não coincidem com a nossa, nem todo mundo sonha tão alto, nem todo mundo conhece o limite, nem todo mundo tem coragem de ULTRAPASSAR LIMITES, nem todo mundo tem coragem de VIVER. 

Sobre as quartas feiras (você deve estar se perguntando), eu também não sei dizer. Mas ela desaparecia, provavelmente estava transcendendo na própria loucura que tinha se tornado os dias, as semanas e o resto da vida que estava no cronograma. 



Por: Bianca Reis, que é virginiana, "cronogramizada" e ama saber que a vida ta lotada de coisas que dependem dela :) 

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